http://repositorio.unb.br/handle/10482/55433| Arquivo | Descrição | Tamanho | Formato | |
|---|---|---|---|---|
| 2023_FernandoNascimentoDosSantos_TESE.pdf | 3,77 MB | Adobe PDF | Visualizar/Abrir |
| Título: | Regime de verdade judicial sobre os corpos negros |
| Autor(es): | Santos, Fernando Nascimento dos |
| Orientador(es): | Duarte, Evandro Charles Piza |
| Assunto: | Direitos humanos Racismo Verdade processual Dispositivo de racialidade Branquidade Colonialidade do poder Acesso à justiça |
| Data de publicação: | 15-Jul-2026 |
| Data de defesa: | 7-Dez-2023 |
| Referência: | SANTOS, Fernando Nascimento dos. Regime de verdade judicial sobre os corpos negros. 2023. 514 f. Tese (Doutorado em Direitos Humanos e Cidadania) — Universidade de Brasília, Brasília, 2023. |
| Resumo: | Essa tese investiga como se constituiu e como se operam os regimes de verdade aplicáveis aos corpos negros independentemente das diversas posições que eles ocupam nas práticas judiciais de veridição, partindo de duas constatações: o corpo negro como uma exceção ao regime de aplicação concreta dos Direitos Humanos, de sua desumanização, e o reconhecimento no cotidiano de que o corpo negro recebe um tratamento diferenciado quando está diante da porta da Justiça, o que se assemelha ao tratamento recebido durante a escravidão pela maioria negra. Aprofunda-se esse debate observando as lógicas de produção das provas, ou os regimes de verdade, tema presente em diversos ramos do Direito, mas especialmente no pensamento foucaultiano. A hipótese central dessa investigação é de que os regimes racializados de produção da verdade sobre os corpos negros reatualizam a colonialidade do direito e dos sistemas de justiça. Nos capítulos iniciais serão apresentadas as categorias conceituais fundamentais para o desenrolar da pesquisa. Para tanto, serão articuladas as principais categorias foucaultianas, quais sejam: a relação “poder-saber”, o “discurso”, a “subjetividade”, “dispositivo de poder” e “regimes de verdade/jogos de verdade”. Tais noções serão revisadas sob a perspectiva dos estudos raciais, com destaque para Sueli Carneiro, a qual inscreveu a problemática racial no campo analítico dos conceitos de “dispositivo” e do “biopoder”, apresentando o “dispositivo de racialidade”. Essa perspectiva crítico-racial prossegue no terceiro capítulo, que situa a “branquidade do poder” e o “véu da branquidade” no contexto dos regimes de verdade judicial. No quarto capítulo o “regime de verdade judicial” é pensado a partir de uma crítica à “tradição dogmático-formalista”, traçando-se as especificidades da prática discursiva dos juristas, os marcos referenciais da produção da verdade judicial e as condições de possibilidades do dizer verdadeiro no campo jurídico. A partir das noções gerais e da compreensão do papel da dogmática na racialização dos regimes de verdade, o capítulo cinco apresenta a emergência da legislação antiescravista, as características do Poder Judicial no período oitocentista e o funcionamento da justiça de conveniência no julgamento dos corpos negros, abordando os dilemas em torno da prova da posse da liberdade vivenciados pelo "negro-autor" de ações cíveis de liberdade e de escravidão, pelo “negro-vítima" nas ações de crimes de redução de pessoa livre à escravidão, e pelo “negro-réu” nas ações penais de crime praticados pelos escravos, que caracterizou um “Direito Penal de Exceção”. Prossegue-se ainda com a apresentação da legislação antirracista no século XX, bem como a práxis judicial e as imunidades dos ofensores. Por fim, o último capítulo aborda como, apesar de todo refinamento teórico dos juristas dogmáticos acerca da verdade judicial, da produção da prova e dos marcos referenciais que garantiriam um processo “justo”, as práticas judiciais reatualizam a colonialidade do direito e dos sistemas de justiça. Para entender os traços dessa racialidade, o “negro-réu” será analisado sob a ótica da seletividade racial. A parte final desse capítulo se dedica à apresentação dos resultados da pesquisa exploratória e ao estudo de casos das práticas judiciais do Distrito Federal que têm em comum o julgamento de corpos negros. Para tanto, investiga-se as ações de crime de racismo e injúria racial em que o “negro-vítima”, representado pelo Ministério Público, busca a responsabilização penal do ofensor e a indenização pelos danos morais e, numa análise transversal, apresenta-se as dinâmicas das ações cíveis e trabalhistas autônomas de reparação de danos morais ajuizadas pelas próprias vítimas. |
| Abstract: | This thesis investigates how truth regimes are constituted and operate on Black bodies, regardless of their diverse positions within judicial veridiction practices. It consists in two observations: the Black body as an exception to the concrete application of Human Rights, leading to its dehumanization, and the recognition that Black bodies receive distinctive treatment when facing the doors of courts of justice, reminiscent of the treatment experienced by the Black majority during slavery. This debate is further deepened by examining the logics of evidence production or truth regimes, a topic present in various branches of the law, particularly in the foucauldian thought. The central hypothesis of this research is that the “raciality of truth regime” about Black bodies revive the coloniality of law and justice systems. The initial chapters will introduce the fundamental conceptual categories for the progression of the research. Therefore, the primary foucauldian categories will be articulated, namely: the “power-knowledge” relationship, “discourse”, “subjectivity”, “dispositif” and “truth regimes/truth games”. These concepts will be reviewed from the perspective of racial studies, especially in Sueli Carneiro, who incorporated racial issues into the analytical field of the concepts of “dispositif” and “biopower”, presenting the "dispositif of raciality." This critical-racial perspective continues in the third chapter, which situates the “whiteness of power” and the “whiteness veil” within the context of judicial truth regimes. In the fourth chapter, the “judicial truth regime” is examined critically in contrast to the “dogmatic-formalistic tradition”. Then, the specificities of the discursive practice of jurists will be presented, such as the referential frameworks for producing judicial truth and the conditions of possibilities for true saying in the legal field. Being built on the general notions and the understanding of the role of dogmatics in the racialization of truth regimes, the fifth chapter discusses the emergence of anti-slavery legislation, the characteristics of the Judiciary in the nineteenth century, and the operation of convenience justice in the judgment of Black bodies. It addresses the dilemmas surrounding the proof of possession of freedom experienced by the "Black plaintiff" in civil lawsuits related freedom and slavery, by the “Black victim” in criminal lawsuits related to “reducing a free person to slavery” crimes and by the "Black defendant" in criminal lawsuits related to the crimes committed by slaves which was characterized as an "Exceptional Criminal Law." It also continues with the presentation of anti-racist legislation in the 20th century, judicial practices and the immunities of offenders. Finally, the last chapter delves into how, - despite the theoretical refinement of dogmatic jurists regarding judicial truth, evidence production, and reference points that would ensure a "fair" trial-, judicial practices revive the coloniality of law and justice systems. To understand the features of this raciality, the "Black defendant" will be analyzed from the perspective of racial selectivity. The final part of this chapter is dedicated to presenting the results of exploratory research and case studies of judicial practices in the Federal District about the judgment of “Black bodies”. Therefore, it presents the criminal lawsuits about racism and racial insult in which the “black victim”, represented by the Public Prosecutor's Office, seeks criminal liability for the offender and compensation for moral damages and, in a cross-sectional analysis, presents the dynamics of the autonomous lawsuits related to civil and labor proceedings for compensation for moral damages filed by the victims themselves. |
| Unidade Acadêmica: | Centro de Estudos Avançados Multidisciplinares (CEAM) |
| Informações adicionais: | Tese (doutorado) — Universidade de Brasília, Centro de Estudos Avançados e Multidisciplinares, Programa de Pós-Graduação em Direitos Humanos e Cidadania, 2023. |
| Programa de pós-graduação: | Programa de Pós-Graduação em Direitos Humanos e Cidadania |
| Aparece nas coleções: | Teses, dissertações e produtos pós-doutorado |
Os itens no repositório estão protegidos por copyright, com todos os direitos reservados, salvo quando é indicado o contrário.