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Título: Política monetária não-convencional e indústria : a experiência da economia estadunidense
Autor(es): Ferreira, Jorge Eduardo de Morais
Orientador(es): Araújo, Ricardo Silva Azevedo
Assunto: Quantitative easing
Produção industrial
Economia - Estados Unidos
Política monetária
Data de publicação: 14-Jul-2026
Referência: FERREIRA, Jorge Eduardo de Morais. Política monetária não-convencional e indústria : a experiência da economia estadunidense. 2026. 73 f., il. Dissertação (Mestrado em Economia) — Universidade de Brasília, Brasília, 2026.
Resumo: Esta dissertação investiga os efeitos da política monetária não convencional sobre o setor industrial da economia estadunidense no contexto da crise provocada pela pandemia de COVID-19. O objetivo central consiste em analisar se a adoção de programas de quantitative easing em larga escala pelo Federal Reserve foi capaz de mitigar o impacto recessivo sobre a produção industrial e evitar um colapso mais profundo da atividade econômica. Para tanto, emprega-se um modelo MF-VAR Bayesiano de frequência mista, combinando variáveis semanais e mensais no período de janeiro de 2017 a dezembro de 2024, seguindo a abordagem metodológica de Schorfheide e Song (2015) e Feldkircher, Huber e Pfarrhofer (2021). Os resultados indicam que o choque expansionista associado ao aumento do agregado monetário M2 não gerou pressões inflacionárias persistentes nem expansão robusta do produto agregado. A resposta da inflação mostrou-se moderada, enquanto o PIB apresentou efeitos transitórios e estatisticamente limitados. Em contrapartida, a produção industrial revelou maior sensibilidade à política monetária, sugerindo predominância do canal financeiro de transmissão, especialmente por meio da compressão de prêmios de risco e reprecificação de ativos. Os achados empíricos reforçam a interpretação pós-keynesiana de que não há multiplicador monetário automático capaz de converter expansão de reservas em crescimento sustentado do produto ou aceleração inflacionária. A decisão de investimento depende fundamentalmente das expectativas de demanda efetiva, e a política monetária, isoladamente, apresenta capacidade limitada de induzir expansão produtiva estrutural. Conclui-se que o quantitative easing atuou primordialmente como instrumento de estabilização financeira, sendo condição necessária para mitigar riscos sistêmicos, porém insuficiente para gerar ciclo autossustentado de crescimento industrial sem coordenação com políticas fiscais expansionistas.
Abstract: This work investigates the effects of unconventional monetary policy on the industrial sector of the U.S. economy in the context of the COVID-19 crisis. The main objective is to assess whether the large-scale quantitative easing programs implemented by the Federal Reserve were able to mitigate the recessionary impact on industrial production and prevent a deeper economic collapse. To this end, a Bayesian Mixed-Frequency VAR (MF-VAR) model is employed, combining weekly and monthly variables from January 2017 to December 2024, following the methodological framework of Schorfheide and Song (2015) and Feldkircher, Huber and Pfarrhofer (2021). The results indicate that the expansionary shock associated with increases in the monetary aggregate M2 did not generate persistent inflationary pressures nor a robust expansion of aggregate output. Inflation responses remained moderate, while GDP effects were transitory and statistically limited. In contrast, industrial production displayed greater sensitivity to monetary expansion, suggesting the predominance of the financial transmission channel, particularly through risk premium compression and asset price revaluation.The empirical findings reinforce the post-Keynesian interpretation that there is no automatic monetary multiplier capable of transforming reserve expansion into sustained output growth or inflation acceleration. Investment decisions fundamentally depend on effective demand expectations, and monetary policy alone has limited capacity to induce structural productive expansion. The evidence suggests that quantitative easing primarily functioned as a financial stabilization instrument, necessary to mitigate systemic risks but insufficient to generate a selfsustained cycle of industrial growth without coordination with expansionary fiscal policies.
Unidade Acadêmica: Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Gestão de Políticas Públicas (FACE)
Departamento de Economia (FACE ECO)
Informações adicionais: Dissertação (mestrado) — Universidade de Brasília, Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade, Departamento de Economia, Programa de Pós-Graduação em Economia, 2026.
Programa de pós-graduação: Programa de Pós-Graduação em Economia
Agência financiadora: Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES)
Aparece nas coleções:Teses, dissertações e produtos pós-doutorado

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