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Título: Gênero, desigualdade e a não neutralidade da moeda : os efeitos distributivos da política monetária em países sob regime de metas de inflação (2002-2022)
Autor(es): Queiroz, Maria Salete Alves
Orientador(es): Freddo, Daniela
Assunto: Política monetária
Desigualdade de gênero
Inflação - metas
Moeda
Taxa de juros
Data de publicação: 14-Jul-2026
Referência: QUEIROZ, Maria Salete Alves. Gênero, desigualdade e a não neutralidade da moeda : os efeitos distributivos da política monetária em países sob regime de metas de inflação (2002-2022). 2026. 162 f., il. Tese (Doutorado em Economia) — Universidade de Brasília, Brasília, 2026.
Resumo: Esta tese investiga os efeitos distributivos da política monetária sobre a desigualdade de gênero em 18 países que permaneceram continuamente sob o Regime de Metas de Inflação (RMI) entre 2002 e 2022. Ancorada na crítica heterodoxa à neutralidade da moeda e em diálogo com a literatura feminista, a pesquisa examina os efeitos heterogêneos das decisões de política monetária sobre as relações de gênero, partindo do entendimento de que tais decisões incidem sobre estruturas econômicas e institucionais historicamente marcadas por desigualdades entre homens e mulheres. Nessa perspectiva, o objetivo central consiste em analisar se a elevação da taxa nominal de juros, principal instrumento operacional do RMI, contribui para a reprodução ou o aprofundamento dessas assimetrias. No plano teórico, o trabalho discute os fundamentos ortodoxos do RMI, a crítica póskeynesiana a esse regime e as articulações entre gênero, mercado de trabalho e desigualdade. Além disso, apresenta uma revisão de escopo da literatura acerca dos efeitos distributivos da política monetária, com ênfase na ainda incipiente produção dedicada ao recorte de gênero. No plano empírico, adota-se uma abordagem quantitativa baseada em dados em painel balanceado para 18 países. A variável dependente é o logaritmo do Índice de Desigualdade de Gênero (GII), enquanto a variável explicativa de interesse corresponde à taxa de juros de política monetária. As estimações são realizadas por meio dos métodos Feasible Generalized Least Squares (FGLS) e Panel Corrected Standard Errors (PCSE). Os resultados indicam uma associação positiva e robusta entre a elevação da taxa de juros e o agravamento da desigualdade de gênero. Conclui-se, portanto, que a política monetária não é neutra do ponto de vista distributivo e que seus efeitos extrapolam o controle inflacionário, incidindo também sobre a reprodução de desigualdades estruturais entre homens e mulheres.
Abstract: This thesis investigates the distributive effects of monetary policy on gender inequality in 18 countries that remained continuously under the Inflation Targeting (IT) between 2002 and 2022. Anchored in the heterodox critique of money neutrality and in dialogue with the feminist literature, the research examines the heterogeneous effects of monetary policy decisions on gender relations, based on the understanding that such decisions operate within economic and institutional structures historically marked by inequalities between men and women. From this perspective, the central objective is to analyze whether an increase in the nominal interest rate, the main operational instrument of the IT, contributes to the reproduction or deepening of these asymmetries. On the theoretical level, the study discusses the orthodox foundations of the IT, the PostKeynesian critique of this regime, and the articulations between gender, labor market, and inequality. In addition, it presents a scoping review of the literature on the distributive effects of monetary policy, with emphasis on the still incipient body of work devoted to the gender dimension. On the empirical level, a quantitative approach is adopted based on balanced panel data for 18 countries. The dependent variable is the logarithm of the Gender Inequality Index (GII), while the explanatory variable of interest corresponds to the monetary policy interest rate. The estimations are carried out using the Feasible Generalized Least Squares (FGLS) and Panel Corrected Standard Errors (PCSE) methods. The results indicate a positive and robust association between an increase in the interest rate and the worsening of gender inequality. It is therefore concluded that monetary policy is not neutral from a distributive point of view and that its effects go beyond inflation control, also affecting the reproduction of structural inequalities between men and women.
Unidade Acadêmica: Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Gestão de Políticas Públicas (FACE)
Departamento de Economia (FACE ECO)
Informações adicionais: Tese (doutorado) — Universidade de Brasília, Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade, Departamento de Economia, Programa de Pós-Graduação em Economia, 2026.
Programa de pós-graduação: Programa de Pós-Graduação em Economia
Agência financiadora: Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES)
Aparece nas coleções:Teses, dissertações e produtos pós-doutorado

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