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Título: Corredor da geopoesia entre Goiás e Tocantins : território e desigualdade nas vozes de Tião Pinheiro e José Godoy Garcia
Autor(es): Beltrão, Larissa Cardoso
Orientador(es): Silva Junior, Augusto Rodrigues da
Assunto: Poesia
José Godoy Garcia
Tião pinheiro
Data de publicação: 30-jun-2026
Referência: BELTRÃO, Larissa Cardoso. Corredor da geopoesia entre Goiás e Tocantins: território e desigualdade nas vozes de Tião Pinheiro e José Godoy Garcia. 2026. 199 f., il. Tese (Doutorado em Literatura) — Universidade de Brasília, Brasília, 2026.
Resumo: Esta Tese parte do conceito de “corredor da geopoesia” para discutir a geopoesia de Sebastião Pinheiro (Tião Pinheiro) e José Godoy Garcia. Situada na fronteira entre Goiás e Tocantins, articulamos território, memória e educação para compreender as vozes que se inscrevem simbolicamente e politicamente no espaço. Mobilizando operadores teóricos, direta e indiretamente, da geopoesia (Silva Junior, 2015) examinamos José Godoy Garcia como primeiro andarilho de um Goiás profundo que depois vai se abrir para a fundação de Brasília e vai se dividir para a criação de um novo estado. Essa escrita do interior já problematizava esses campos propícios para grandes bolsões de miséria e exploração de indivíduos. Godoy Garcia já problematizava as desigualdades socioeconômicas e mapeava tradições e manifestações populares da região. A leitura de Tião Pinheiro evidencia a condição fronteiriça entre Monte Alegre/Campos Belos (GO) e Arraias (TO). Em uma constelação afetiva de rios, caminhos, pessoas e lugares, se palavras atua como gesto estético, político, comunitário. A Tese problematiza o imaginário (politizado e explorado) do “corredor da miséria”, sustentando que, apesar das desigualdades, a região reúne tradições e saberes ancorados na oralidade e em manifestações artísticas e pensamentais que vão se constituindo e se firmando. Ao mesmo tempo, trazemos vozes das Comunidades Quilombolas Kalunga de Goiás e do Tocantins também situados nessa fronteira e, também, rexistindo fortemente contra aqueles que querem manter a miséria na região. Nessa afirmação identitária reverberam os mestres dos saberes, dos fazeres e dos dizeres - verdadeiros narradores da geopoesia (Alves, 2020). Com conceitos de raizama e enfronteiramento buscamos mapear os elementos de pertencimento e fortalecimento cultura que atravessam os versos de Tião Pinheiro (nascido em Monte Alegre e hoje vivendo em Palmas) e José Godoy Garcia (nascido em Jataí; radicado em Goiânia e, depois, em Brasília - onde faleceu em 1999). Por fim, a tese apresenta um encarte pedagógico com propostas didáticas ancoradas na literatura e memória coletiva, entendendo o espaço escolar como a possibilidade de recepção desses textos e de reconhecimento do próprio lugar e dos seus habitantes como parte, também, de algo artístico. Ao dialogar com essas poéticas precursoras e contínuas, no encontro de saberes populares (ao exemplo de Iaiá Procópia), com a sabedoria acadêmica quilombola (Rodrigues - Tuia Kalunga; Vercilene Pereira) e pensadores da região que são basilares para esse trabalho (Correia, Moura, Gandara), o estudo desloca-se do estigma da carência e afirma uma amplidão simbólica do lugar, reconhecendo a palavra literária como prática coletiva de pertencimento, conhecimento, educação e revolução nesses brasis liminares e interiores - niemares - longe do mar (que também é chamado de kalunga!).
Abstract: This Thesis departs from the concept of the corridor of geopoesy to examines geopoets Sebastião Pinheiro (Tião Pinheiro) and José Godoy Garcia, within the border region between Goiás and Tocantins. By articulating territory, memory, and education, the study investigates how voices are symbolically and politically inscribed in space. Drawing, directly and indirectly, on theoretical operators of geopoesy (Silva Junior, 2015), it analyzes José Godoy Garcia as an early wanderer of a deep, interior Goiás – one that would later open toward the founding of Brasília and be divided with the creation of a new state. His interior writing already problematized territories marked by large pockets of poverty and exploitation, critically addressing socio-economic inequalities while mapping regional traditions and popular manifestations. The reading of Tião Pinheiro foregrounds the frontier condition between Monte Alegre/Campos Belos (GO) and Arraias (TO). Within an affective constellation of rivers, paths, people, and places, the word operates as an aesthetic, political, and communal gesture. The dissertation challenges the politicized and exploited imaginary of the so-called “corridor of misery,” arguing that, despite persistent inequalities, the region sustains traditions and forms of knowledge rooted in orality and in artistic and intellectual practices that continue to consolidate themselves. It also incorporates voices from the Kalunga Quilombola Communities of Goiás and Tocantins, likewise situated along this frontier and actively rexisting against forces that seek to perpetuate regional deprivation. In this process of identity affirmation, masters of knowing, making, and saying emerge as true narrators of geopoesy (Alves, 2020). Through the concepts of raizama and enfronteiramento, the study maps elements of belonging and cultural strengthening that traverse the poetry of Tião Pinheiro (born in Monte Alegre and currently living in Palmas) and José Godoy Garcia (born in Jataí, later based in Goiânia and Brasília, where he died in 1999). Finally, the dissertation presents a pedagogical insert with didactic proposals grounded in literature and collective memory, understanding the school space as a site for the reception of these texts and for recognizing place and its inhabitants as participants in artistic life. By bringing into dialogue popular knowledge (such as that of Iaiá Procópia), quilombola academic thought (Rodrigues – Tuia Kalunga; Vercilene Pereira), and key regional thinkers (Correia, Moura, Gandara), the study moves beyond the stigma of lack and affirms the symbolic breadth of place, recognizing the literary word as a collective practice of belonging, knowledge, education, and transformation in these liminal, interior Brazils – niemares – far from the sea, which is also called kalunga.
Unidade Acadêmica: Instituto de Letras (IL)
Departamento de Teoria Literária e Literaturas (IL TEL)
Informações adicionais: Tese (doutorado) — Universidade de Brasília, Instituto de Letras, Departamento de Teoria Literária e Literaturas, Programa de Pós-Graduação em Literaturas, 2025.
Programa de pós-graduação: Programa de Pós-Graduação em Literatura
Licença: A concessão da licença deste item refere-se ao termo de autorização impresso assinado pelo autor com as seguintes condições: Na qualidade de titular dos direitos de autor da publicação, autorizo a Universidade de Brasília e o IBICT a disponibilizar por meio dos sites www.unb.br, www.ibict.br, www.ndltd.org sem ressarcimento dos direitos autorais, de acordo com a Lei nº 9610/98, o texto integral da obra supracitada, conforme permissões assinaladas, para fins de leitura, impressão e/ou download, a título de divulgação da produção científica brasileira, a partir desta data.
Aparece nas coleções:Teses, dissertações e produtos pós-doutorado

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