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Título: Vivências de mães de crianças e adolescentes com doenças raras na Região Norte do Brasil : estudo sobre a qualidade de vida, itinerários terapêuticos, estratégias de enfrentamento e apoio social
Autor(es): Feitosa, Jaine de Santana
Orientador(es): Queiroz, Elizabeth
Assunto: Doenças raras
Itinerários terapêuticos
Data de publicação: 14-Mai-2026
Referência: Feitosa, Jaine de Santana. Vivências de mães de crianças e adolescentes com doenças raras na Região Norte do Brasil: estudo sobre a qualidade de vida, itinerários terapêuticos, estratégias de enfrentamento e apoio social. 2025. 178 f., il. Tese (Doutorado em Psicologia Clínica e Cultura) — Universidade de Brasília, Brasília, 2025.
Resumo: O percentual de pessoas acometidas com condições raras (DRs) ainda é desconhecido, mas estima-se que existam cerca de seis mil doenças raras já descritas na literatura, sendo que as manifestações podem ser variadas, de pessoa a pessoa e que a maior parte delas é de origem genética e surge na infância. O objetivo geral desta pesquisa é investigar como os itinerários terapêuticos, aspectos psicossociais e variáveis sociodemográficas influenciam a qualidade de vida de mães de crianças e adolescentes com doenças raras, que tenham iniciado a busca por diagnóstico e tratamento em um dos estados da Região Norte do Brasil. Trata-se de estudo exploratório e descritivo, com delineamento transversal e abordagem mista, executado em duas etapas, de forma remota. A primeira etapa (Estudo 1) foi realizada por meio de aplicação do Questionário de Qualidade de Vida Autopercebida - Breve (WHOQOL-BREF); Escala Modos de Enfrentamento de Problemas – (EMEP); Questionário de investigação de itinerários terapêuticos e Questionário sociodemográfico, com amostra de 23 participantes, com idade média entre 24 e 53 anos, onde 56,6% são casadas e 52,2% desenvolvem atividade remunerada. Na segunda etapa (Estudo 2), foram realizadas entrevistas semiestruturadas, em dois grupos, com três participantes cada. Os resultados do Estudo 1 apontaram índices baixos de qualidade de vida (QV) entre as participantes, com médias muito próximas em relação aos domínios abordados pela WHOQOL-BREF, sendo que a ordem de maiores índices, de forma decrescente foi: psicológico (2,78), relações sociais (2,76), meio ambiente (2,70) e, por último, físico (2,60). Dos quatro modos de enfrentamento identificados pela EMEP, os mais utilizados foram, de forma decrescente: prática religiosa (3,65), focado no problema (3,52), suporte social (3,11) e focado na emoção (2,59). Houve correlação significativa fraca ou moderada entre QV psicológica e enfrentamento focado no problema e focado na emoção, ou seja, quanto maior o enfrentamento focado no problema, maior a qualidade de vida, e quanto maior o enfrentamento focado na emoção, menor a qualidade de vida. O enfrentamento focado no problema e o enfrentamento focado na emoção explicam 40,8% da QV psicológica na amostra. No que se refere à rede de apoio, 52,2% referiram ter obtido auxílio, enquanto 26,1% das mães, mesmo possuindo tal rede, não tiveram oferta de auxílio e 21,7% sinalizaram não terem acesso à rede de apoio alguma. Os resultados do Estudo 2 apontaram que em relação ao apoio social, emocional e concreto ou prático, parte das mães não recebe apoio de forma satisfatória, o que as faz passar por um processo de desgaste físico e psíquico, impactando em aspectos como trabalho, estudos, socialização, lazer, qualidade de vida e bem-estar. No caso das mães que ainda recebem algum apoio, esse fica delegado a atividades pontuais. A responsabilidade maior ainda é atribuída apenas a elas, vistas como cuidadoras primárias. No quesito desafios dos primeiros sintomas até o tratamento, as mães são uníssonas em mencionar as fragilidades dos serviços públicos ofertados nas unidades da federação onde residem, apontando a necessidade de maior investimento em políticas públicas e pesquisas voltadas à temática das DRs e dos cuidadores. Apontam, também, as longas jornadas em busca de um diagnóstico e possível tratamento, bem como as inúmeras tentativas de tratamento que não foram satisfatórias e do encontro com profissionais de saúde que não possuem conhecimento na área. As principais contribuições da pesquisa se referem à narração das vivências dessas mães em relação aos cuidados com os filhos com condições raras, a descrição dos itinerários terapêuticos percorridos, a análise dos índices de qualidade de vida e apoio social, e a exposição das estratégias de enfrentamento utilizadas. Destarte, espera-se que esse estudo possa contribuir de maneira significativa para o alavancar de pesquisas nesse tema na Região Norte do país.
Abstract: The percentage of people affected by rare conditions is still unknown, but it is estimated that there are about six thousand rare diseases already described in the literature, with manifestations that can vary from person to person, and most of them are of genetic origin and appear in childhood. The general objective of this research is to investigate how therapeutic itineraries, psychosocial aspects, and sociodemographic variables influence the quality of life of mothers of children and adolescents with rare diseases who have begun seeking diagnosis and treatment in one of the states of the Northern Region of Brazil. This is an exploratory and descriptive study, with a cross-sectional design and a mixed-methods approach, carried out in two stages. The first stage (Study 1) was conducted through the application of the Brief Self Perceived Quality of Life Questionnaire (WHOQOL-BREF); Coping Modes Scale (EMEP); A questionnaire investigating therapeutic itineraries and a sociodemographic questionnaire were conducted with a sample of 23 participants, on average between 24 and 53 years old, of which 56.6% are home and 52.2% desenvolvem remunerated activity. In the second stage (Study 2), semi-structured interviews were conducted in two groups of three participants each. The results of Study 1 indicated low quality of life scores among the participants, with very similar averages in relation to the domains addressed by the WHOQOL-BREF. The order of highest scores, in descending order, was: psychological (2.78), social relationships (2.76), environment (2.70), and lastly, physical (2.60). Of the four coping modes identified by the EMEP, the most frequently used were, in descending order: religious practice (3.65), problem-focused (3.52), social support (3.11), and emotion-focused (2.59). There was a weak or moderate significant correlation between psychological quality of life and problem-focused and emotion-focused coping; that is, the greater the problem-focused coping, the higher the quality of life, and the greater the emotion-focused coping, the lower the quality of life. Problem-focused coping and emotion-focused coping explain 40.8% of the psychological quality of life in the sample. Regarding the support network, 52.2% reported having received help, while 26.1% of mothers, even possessing such a network, did not receive any offer of help, and 21.7% indicated that they had no access to any support network. The results of Study 2 indicated that, regarding social, emotional, and concrete or practical support, some mothers do not receive satisfactory support, leading to physical and psychological exhaustion, impacting aspects such as work, studies, socialization, leisure, quality of life, and well-being. For mothers who do receive some support, it is limited to specific activities. The greatest responsibility remains solely with them, as they are seen as primary caregivers. Regarding the challenges from the first symptoms to treatment, mothers unanimously mention the weaknesses of public services offered in their states, highlighting the need for greater investment in public policies and research focused on the issue of respiratory distress syndrome (RDS) and caregivers. They also point to the long journeys spent seeking a diagnosis and possible treatment, as well as the numerous unsatisfactory treatment attempts and encounters with healthcare professionals lacking expertise in the area. The main contributions of this research relate to the narration of these mothers' experiences in caring for children with rare conditions, the description of the therapeutic itineraries followed, the analysis of quality of life and social support indices, and the exposition of the coping strategies used. Therefore, it is hoped that this study can significantly contribute to advancing research on this topic in the Northern Region of the country.
Unidade Acadêmica: Instituto de Psicologia (IP)
Departamento de Psicologia Clínica (IP PCL)
Informações adicionais: Tese (doutorado) — Universidade de Brasília, Instituto de Psicologia, Programa de Pós-graduação em Psicologia Clínica e Cultura, 2025.
Programa de pós-graduação: Programa de Pós-Graduação em Psicologia Clínica e Cultura
Aparece nas coleções:Teses, dissertações e produtos pós-doutorado

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